Fato que, por várias ocasiões, lhe
deixaram com medo quanto às incertezas que rondam a vida de um
paraplégico. É que, se ser mãe já é uma experiência inigualável, que
passeia por dificuldades e pelas maravilhas, imaginem só ser mãe
cadeirante. As possibilidades de complicação na gestação e em como
acompanhar o desenvolvimento da criança de forma limitada são algumas
das dúvidas que rondam a cabeça, e o coração, destas mulheres que reinam
sobre duas rodas, mas que, a cada dia, ganham mais coragem e espaço na
sociedade para enfrentar desde preconceitos até leis inconvenientes.
Na verdade, trata-se de uma população
quase invisível. Depois de anos sem discriminá-los de fato nos Censos
realizados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)
enfim detalhou em 2010: cerca de 45 milhões de brasileiros (23,9% da
população) têm algum tipo de deficiência; sendo os cidadãos com
deficiência motora 13,2 milhões de pessoas, o que equivale a 7% dos
brasileiros. Ainda não há detalhamento de gênero, ou seja, não se sabem
quantos são mulheres e suas idades. Mas sabe-se que é uma população que
também namora, casa e tem filhos, apesar das dificuldades físicas,
sociais e culturais.
É o caso de Ana Paula, que apesar do
diagnóstico irreversível, se manteve otimista. “No começo eu me animei,
acreditei nas possibilidades. Depois de um tempo, aceitei e fui cuidar
da minha vida”, diz ela que é professora concursada da rede pública de
ensino fundamental, formada em pedagogia e pós-graduada em
psicopedagogia. Como se não bastasse, ela também deu voz ao coração.
Conheceu há 8 anos Thiago Dias Cardoso, hoje com 26 anos, e com quem se
casou há 4. “Estávamos numa festa e ele veio conversar. No início achei
estranho, mas depois não deu para controlar”, assume. E como muitos
casais, chegou um momento em que ambos começaram a desejar filhos.
Ela conta que foi um ano e meio de
tentativas. “Procuramos um ginecologista que aceitou nos acompanhar e
fizemos vários exames. Tudo estava normal, mas eu não engravidava.
Combinamos então que após um ano e meio, tentaríamos inseminação
artificial. Porém, antes disso, quando desistimos das formas naturais,
descobri que estava grávida”, diz ela em tom de comemoração. Mas não foi
um mar de rosas, é claro. A mãe cadeirante também precisa de
acompanhamento e pré-natal específico. “Ninguém passa ileso por um
acidente. Uma das coisas que se aprende é viver um dia de cada vez”,
ensina a mãe dela, dona Ivone Bozolan, de 67 anos.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul











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