quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os desafios da maternidade sobre duas rodas

“Há exatos um mês e uma semana, olho para ela e penso em como é bom sonhar e ter com quem compartilhar”, diz a paulistana Ana Paula Verdovatto Bozolan, de 32 anos, ao mencionar o nascimento da filha, Liz. A afirmação em nada tem de diferente de outra mãe de primeira viagem se não fosse o contexto. É que Ana Paula, que reside desde a infância em Boituva, na região sorocabana, é cadeirante há 13 anos. Vítima de um acidente de carro que ocorreu na estrada entre Capivari e Tietê, ela sofreu lesão espinhal na T10 – vértebra próximo da lombar -, o que lhe impede, desde então, de andar ou ter sensibilidade na linha abaixo do umbigo.
Fato que, por várias ocasiões, lhe deixaram com medo quanto às incertezas que rondam a vida de um paraplégico. É que, se ser mãe já é uma experiência inigualável, que passeia por dificuldades e pelas maravilhas, imaginem só ser mãe cadeirante. As possibilidades de complicação na gestação e em como acompanhar o desenvolvimento da criança de forma limitada são algumas das dúvidas que rondam a cabeça, e o coração, destas mulheres que reinam sobre duas rodas, mas que, a cada dia, ganham mais coragem e espaço na sociedade para enfrentar desde preconceitos até leis inconvenientes.
Na verdade, trata-se de uma população quase invisível. Depois de anos sem discriminá-los de fato nos Censos realizados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) enfim detalhou em 2010: cerca de 45 milhões de brasileiros (23,9% da população) têm algum tipo de deficiência; sendo os cidadãos com deficiência motora 13,2 milhões de pessoas, o que equivale a 7% dos brasileiros. Ainda não há detalhamento de gênero, ou seja, não se sabem quantos são mulheres e suas idades. Mas sabe-se que é uma população que também namora, casa e tem filhos, apesar das dificuldades físicas, sociais e culturais.
É o caso de Ana Paula, que apesar do diagnóstico irreversível, se manteve otimista. “No começo eu me animei, acreditei nas possibilidades. Depois de um tempo, aceitei e fui cuidar da minha vida”, diz ela que é professora concursada da rede pública de ensino fundamental, formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia. Como se não bastasse, ela também deu voz ao coração. Conheceu há 8 anos Thiago Dias Cardoso, hoje com 26 anos, e com quem se casou há 4. “Estávamos numa festa e ele veio conversar. No início achei estranho, mas depois não deu para controlar”, assume. E como muitos casais, chegou um momento em que ambos começaram a desejar filhos.
Ela conta que foi um ano e meio de tentativas. “Procuramos um ginecologista que aceitou nos acompanhar e fizemos vários exames. Tudo estava normal, mas eu não engravidava. Combinamos então que após um ano e meio, tentaríamos inseminação artificial. Porém, antes disso, quando desistimos das formas naturais, descobri que estava grávida”, diz ela em tom de comemoração. Mas não foi um mar de rosas, é claro. A mãe cadeirante também precisa de acompanhamento e pré-natal específico. “Ninguém passa ileso por um acidente. Uma das coisas que se aprende é viver um dia de cada vez”, ensina a mãe dela, dona Ivone Bozolan, de 67 anos.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Câmara de Araçoiaba da Serra fará obra para receber vereador deficiente

Prédio deveria ter acessibilidade total, como prêve lei federal.Outras 11 câmaras da região também terão que ser adaptadas.

 A Câmara Municipal de Araçoiaba da Serra (SP) vai precisar passar por adaptações para poder receber o novo vereador. Leandro Portella foi eleito e vai assumir o cargo em janeiro de 2013.
Ele ficou tetraplégico em um acidente, em 1999, e já percebeu que terá muitos desafios no novo cargo.
O problema da falta de acessibilidade na Câmara Municipal começa logo na entrada, já que o acesso só pode ser feito por uma escada. Dentro do prédio, outras dificuldades: no banheiro para deficientes faltam uma barra lateral e mais espaço para virar a cadeira. Os gabinetes ficam todos no andar superior e não há rampas ou elevadores. O plenário está em outro nível e também não há acesso.
Para chegar ao plenário é preciso sair da Câmara e tentar a entrada por fora. No entanto, o local vai precisar de outras adequações para atender ao vereador eleito. Mesa mais alta, fones especiais e, no caso dele vir a fazer parte da mesa diretora, será preciso uma rampa de acesso. A presidente da Câmara já encaminhou um ofício para a prefeitura pedindo para que sejam feitas as reformas.
Em toda a região de Sorocaba (SP) e Jundiaí (SP), seis vereadores eleitos ou reeleitos possuem algum tipo de deficiência. Nas 22 Câmaras Municipais da região, 11 delas, precisam de adaptações para receber os portadores de necessidades especiais.
O direito dessas pessoas em acessar locais públicos está previsto na Constituição Federal. Segundo Alexandre Franco de Camargo, presidente da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB de Sorocaba, a lei deve ser fiscalizada pelo Ministério Público.
A lei garante que todos os prédios públicos ou de uso coletivo devem ter: vagas especiais reservadas no estacionamento, rampas de acesso, banheiros adaptados, espaço reservado para cadeiras de rodas, assentos especiais para obesos e piso tátil para portadores de deficiência visual.

O Segundo Suspiro – A História Real Que Inspirou o Fime Intocáveis


Sinopse
Philippe Pozzo di Borgo era um executivo de sucesso e herdeiro de duas tradicionais famílias francesas. Porém, em 1993 sua vida sofre uma reviravolta dramática quando, após um acidente de parapente, ele fica tetraplégico. Na mesma época, sua mulher, Béatrice, enfrenta uma doença terminal.
Em meio à dor, Pozzo di Borgo isola-se em sua luxuosa casa em Paris e passa a ter como acompanhante o argelino Abdel, genioso e desinibido com as mulheres – mas que, por trás de sua fachada temperamental, também sofre da solidão e da sensação de deslocamento. Entre o aristocrata e seu “diabo guardião”, surge uma inesperada camaradagem que transforma suas vidas.
Abdel introduz em seu cotidiano a aventura e o imprevisível, e Pozzo di Borgo descobre que, mesmo nas mais adversas das condições, é possível cultivar um intenso apetite pela vida, voltar a amar e ser amado. Irônico e brutalmente honesto, o depoimento de Pozzo di Borgo inspirou o filme Intocáveis, de Olivier Nakache e Éric Toledano. Lançada em novembro de 2011, a comédia dramática se transformou em um verdadeiro fenômeno de bilheteria.